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  • Greco Nogueira

Ritmo nas estrelas



São Paulo, 2004. Estava fazendo um curso na área de som e na escola me deparei com um cartaz: "Naná Vasconcelos e André Geraissati - Sesc Vila Mariana". Não lembro o nome do show. Mas me empolguei com a ideia de ver o Naná. O Geraissati é um grande músico também, mas o Naná foi a motivação. Em alguns discos do Pat Metheny e do Egberto Gismonti que tenho por aqui, descobri que o cara da percussão era ele. Tinha que ser. A descoberta me fez ouvir seus ritmos de outra maneira....

Voltando ao show, entrei no teatro após duas cervejas. Sentei. Queria estar em pé, bem próximo ao palco, mas isso era impossível, pois aquela era uma apresentação para se ouvir, escutar, sentir sem nem precisar abrir os olhos.

Primeiro entrou o Naná. Tudo escuro. Sentou no chão e tirou uma moringa do saco de pano. A moringa era de vidro. De cima dele projetou-se uma luz de laser que incindiu sobre o instrumento. A luz refletiu para todos os lados e cantos do teatro. Ainda havia o silêncio, mas aquilo ali já era música. Ele, então, conduziu nossos ouvidos e pensamentos para outro lugar. Talvez, por aquela luz que batia no instrumento ser azul, me fez pensar sobre o espaço e as estrelas. As músicas levavam a plateia em viagens visuais sem necessidade de projeção de imagens. É quando a música funciona da melhor maneira possível... Via-se nos rostos das pessoas que elas experimentavam as mesmas sensações e por isso, imensos sorrisos. Quando André se juntou ao Naná, o público já estava vencido. E ele, por ser um músico experiente, sentiu isso e deu liberdade ao Naná para que ele terminasse o show.

Na verdade, o que presenciei aquele dia não foi um simples show musical. Foi um evento de elevação espiritual, como se você estivesse praticando sua espiritualidade dentro da sua religião.

Por isso, Naná, por ter me proporcionado uma experiência tão maravilhosa e inesquecível, meu muito obrigado.

Que você agora toque e encante as estrelas!


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